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Entrevista com Argemiro Procópio, autor de No olho da águia

Alfa Omega: Serão os estudos em Relações Internacionais propagados no Brasil demasiadamente influenciados pela indústria cultural norte-americana? E como pode a disseminação de ideologias tomadas como inquestionáveis e aplicáveis universalmente ser usada como mecanismo de promoção mundial dos interesses norte-americanos?
Argemiro Procópio: Existe no Brasil uma certa parcialidade e tendenciosidade dos recentes estudos em relações internacionais, resultantes da propagação do poderio e áreas de influência norte-americana. O conteúdo de tais estudos costuma ser réplica ou cópia defasada do ensinado nas universidades dos Estados Unidos da América. Além do controle dos meios de produção, a posse e o domínio da indústria cultural são extraordinários instrumentos de poder do unilateralismo. Isso porque ademais da conquista por meio da guerra e das empresas transnacionais, a indústria cultural sabe cativar. Domina tanto no âmbito das idéias, quanto impõe sua visão de mundo ditando indiretamente o estilo de vida de dezenas e dezenas de países. Daí também as revoltas contra o tratar cultural dos EUA. Eles por onde passam colocam em xeque tradições e culturas que não as suas.

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Entrevista com Marcos Alcyr Brito de Oliveira, autor de Cidadania Plena

AlfaOmega: Uma pergunta básica: como se define o conceito moderno de cidadania e do que se trata?
Marcos Alcyr Brito de Oliveira: O conceito atual de cidadania pode ser resumido como o direito a ter direitos. Direitos civis (como o direito à vida, à liberdade à igualdade, à propriedade etc.), direitos políticos (participar no destino da sociedade, votar e ser votado) e os direitos sociais (direito à educação, ao trabalho, à saúde etc.).
Todos estes direitos estão previstos em boa parte das constituições existentes no mundo, inclusive na Constituição Federal Brasileira de 1988. No entanto, não bastam estas garantias formais, é necessária muita luta e consciência para que estes direitos se tornem realidade, por isso podemos dizer que o conceito de cidadania ainda está sendo construído.

AlfaOmega: O que muda na idéia de cidadania a partir de Jean-Jacques Rousseau, Immanuel Kant e Friedrich Hegel?
Marcos Alcyr Brito de Oliveira: Para os antigos (gregos e romanos) não havia uma diferença nítida entre o público e o privado, a sociedade civil e a sociedade política.
Os fundamentos da teoria moderna do Estado, em que a sociedade civil difere da sociedade política, começam a ser elaborados de forma mais completa com Thomas Hobbes, seguido, entre outros, por John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Emmanuel Kant e Georg Wilhem Friedrich Hegel.

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Entrevista com Marcelo Maccaferri, autor de Alma, Gesto

Entrevista concedida a Antônio do Amaral Rocha

Alfa Omega: Estrear na literatura com um prêmio importante como o PAC que significado teve para você?
Marcelo Maccaferri: Sem dúvida é um reconhecimento. Mas principalmente me alerta o quanto não devo me iludir com a distinção. Porque o início não aconteceu com o prêmio e o fim eu deixo aos póstumos.

Alfa Omega: Qual é o grande tema do poeta e da poesia?
Marcelo Maccaferri: Depois do século XX não é mais possível falar de um tema específico na poesia. Mas se a vida, uma vez indicada, é Arte, eu diria então que a poesia fala das dúvidas e dos absurdos da existência.

Alfa Omega: Como e quando você se deparou com a necessidade de fazer poesia?
Marcelo Maccaferri: Não faço poesia, mas me utilizo das palavras como matéria-prima para Arte. Eliminemos de uma vez por todas as categorias e as classificações, que generalizam a matéria e encobre suas nuances e sua atualidade. No livro “Alma, Gesto” solicitei propositalmente ao editor a declaração “Palavras e Ilustrações do autor”.

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Entrevista com Langstain Almeida, autor de Romance de Combate – A Dominação do Terceiro Mundo

A dominação do Terceiro Mundo mergulha na essência da natureza humana. Analisa os sentimentos, o caráter, os interesses e a ideologia por trás do domínio político no mundo contemporâneo. Trata-se de romance de ficção política, de cunho autobiográfico. O autor esteve condenado à morte quando da sua prisão, logo após o golpe militar de 1964, e novamente em 1971.

A reportagem da Alfa Omega publica a entrevista com o escritor Langstain Almeida, levada a efeito às vésperas do lançamento do Romance de combate, A dominação do Terceiro Mundo. Num ambiente de descontração no qual os interlocutores sentaram-se a uma mesa simples com lastro de mármore, o diálogo teve início após uma rodada om cafezinho quente.

Alfa Omega: Por que o sintagma de combate adjetivando o vocábulo romance?
Langstain Almeida: A Dominação é um romance de combate porque se vale do teatro para esclarecer consciências. Alcançado este difícil porte de elevação política, tal obra busca a derrocada do modelo econômico implantado no Terceiro Mundo a partir da Segunda Guerra Mundial.

Alfa Omega: Qual o ambiente geográfico que oferece matéria-prima literária ao relacionamento dos personagens?
Langstain Almeida: A América Latina, parte da África Subsaariana, o Golfo Pérsico e os territórios do Sul da Ásia – instruíra o autor, prolongando-se: O material literário converge de várias partes do Terceiro Mundo.

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Entrevista com Adriano de Assis Ferreira, autor do livro Questão de classes

Alfa Omega: Professor, o seu livro Questão de Classes – Direito, Estado e capitalismo pode ser indicado para quais disciplinas do estudo do direito e outros correlatos?

Adriano de Assis Ferreira: O livro pode ser indicado para disciplinas de Introdução ao Direito, Sociologia do Direito, Ciência Política /Teoria do Estado e Filosofia do Direito. Também pode ser indicado a cursos de Ciências Sociais, Serviço Social e História.

Alfa Omega: No livro o senhor faz uma leitura do direito, do Estado e do capitalismo sobre a visão de diversos autores partindo das análises de Marx, centrado num momento em que o estado e o capitalismo pareciam estar em evidente colapso (séculos 19 e início 20). O senhor diz ser possível, a partir da perspectiva de Robert Kurz uma análise esotérica e outra exóterica. Explique estes conceitos.

Adriano de Assis Ferreira: Na verdade, o aparente colapso do capitalismo no final do século XIX e início do XX pode, hoje, ser interpretado como mais um solavanco no longo processo de consolidação do sistema em áreas então periféricas. Todavia, esse solavanco abriu espaço a diversos questionamentos de cunho socialista, partindo de duas facetas da obra de Marx: esotérica e exotérica. A vertente exotérica da obra de Marx é aquela dedicada aos movimentos trabalhadores, uma elaboração simplificada e que expressa o momento histórico da consolidação capitalista, que supera os últimos resquícios de trabalho feudal. Seus conceitos básicos são a “luta de classes” e o materialismo histórico dela derivado. Por outro lado, Marx produziu uma obra mais conceitual e “econômica”, que desvenda os mistérios do funcionamento da economia capitalista e denuncia as contradições inerentes a essa lógica, sem hipervalorizar o papel das classes sociais. Esta análise é hoje mais interessante para a compreensão do contexto presente e traz um arsenal teórico capaz de propiciar sua crítica.

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Entrevista com Ivo Tonet e Adriano Nascimento, autores do livro Descaminhos da esquerda

Ivo Tonet
Adriano Nascimento

Entrevista concedida a Antônio do Amaral Rocha

Alfa Omega: Historicamente como se deram as tentativas de implantação dos regimes socialistas no mundo?

Autores: Houve tentativas na Russia, na China, em Cuba, no Vietnam, em vários países da Europa Oriental e da África. Todas elas em países atrasados.
Socialismo revolucionário implica, necessariamente a superação radical do capital através da instauração de uma nova forma de produção da riqueza material que se chama trabalho associado, vale dizer, o controle livre, consciente, coletivo e universal dos produtores sobre o processo de produção e, consequentemente, sobre o conjunto do processo social.
Observação importante: não confundir caminho revolucionário para o socialismo, tal como historicamente aconteceu, com socialismo revolucionário. São duas coisas completamente diferentes.

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Entrevista com Alcides Casado de Oliveira , autor do livro Sociologia: Ciência ou ideologia?

Alfa Omega: Professor, o senhor já aplicou a sua teoria desenvolvida neste livro?

Alcides Casado de Oliveira: Fiz uma tentativa. Pretendi explicar a organização do sistema educacional brasileiro. Entretanto, concluí que poderia explicar diversos aspectos da organização formal do sistema, mas não poderia explicar as relações entre a organização social e o funcionamento do sistema. Isto porque, para explicar as relações, eu teria de explicar a própria teoria, e assim, ficaria como o cachorro correndo atrás do rabo. Tenho as anotações da tentativa que fiz.
Para mostrar uma aplicação eu teria de explicar, primeiro, a própria teoria, e me certificar de que os interessados na aplicação a conhecessem. Assim, decidi publicar a teoria para mostrá-la a pessoas que poderiam compreendê-la, os sociólogos; depois, produziria os exemplos de aplicação, para mostrá-los aos que conhecessem a teoria e tivessem condições de divulgá-la. Então, trata-se de primeiro, mostrar o que é a teoria, e depois mostrar como pode ser aplicada. Mas posso fornecer exemplos de como se poderá aplicá-la, a partir de fatos ou situações reais, antigos ou atuais.

Alfa Omega: No que sua teoria é diferente de outras teorias sociais?

Alcides Casado de Oliveira: Esta teoria permite explicar, em bases científicas, a organização e o funcionamento do sistema social de qualquer comunidade. As outras teorias, pelo menos as que eu conheço, foram desenvolvidas para explicar, algumas em profundidade, aspectos relativos ao comportamento social mas, em geral não tratam das relações entre organização social e comportamento social; os aspectos relativos à organização social são analisados a partir de argumentos doutrinários.
Esta teoria pretende ser essencialmente científica. Com base nela, um cientista social poderá compreender e explicar as características da organização e do funcionamento de sistemas sociais. A outras teorias faltam fundamentos científicos para explicar relações entre organização social e comportamento social e, desse modo, não permitem explicar, cientificamente, o funcionamento dos sistemas sociais. Em outras palavras há uma deficiência de conteúdo científico nas outras teorias, quanto aos aspectos relacionados à organização social.

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Entrevista com Alessandra Devulsky Tisescu, autora do livro Edelman – Althusserianismo, direito e a política

Entrevista concedida a Antônio do Amaral Rocha

Alfa Omega: Porque se justifica estudar o jusfilósfo Edelman no Brasil?

Alessandra Devulsky Tisescu: A contemporaneidade de Edelman no pensamento crítico do direito reflete as mesmas qualidades presentes nos recursos da teoria marxiana na análise do mundo e de sua vicissitudes. De fato, o direito sempre se apresentou em atraso para a interpretação de situações que afligem a população, recorrendo sempre às teorias presentes nas diversas escolas da filosofia para ter respaldo teórico nas soluções a serem apresentados. Edelman recorre justamente ao marxismo como o seu ponto de partida teórico para compreender o direito inserido nesse mundo e de que modo ele efetivamente pode ser um instrumento de transformação de uma realidade, ou simplesmente um instrumento de manutenção do status quo.

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Entrevista com Alvair Silveira Torres Junior e Nilton Luiz Marchiori, organizadores do Pequeno dicionário de termos da economia globalizada

Alvair S. Torres Junior
Nilton Luiz Marchiori

Alfa Omega: Qual o tema deste livro?

Organizadores: Trata-se de um livro introdutório sobre as principais técnicas utilizadas pelas grandes corporações do mundo globalizado e que se tornaram um consenso tecnocrático nas esferas técnico-administrativas e econômicas das empresas. Vale ressaltar para o fato das técnicas apresentadas no livro terem sido escolhidas pelo alcance e difusão que possuem na administração moderna. Já se tornaram consagradas. Não são modismos passageiros. Em outras palavras, as técnicas administrativas e de engenharia de produção não se esgotam naquelas apresentadas no livro, houve, porém, cuidado em selecionar aquelas cujos princípios de administração enxuta, qualidade e prazos mínimos fizeram-nas ser incorporadas ao management e business globalizado.

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Entrevista com Durval Clemente, autor do livro Um Brasil canalha

Alfa Omega: Um Brasil canalha é seu primeiro livro?

Durval Clemente: Sim. Eu nunca havia pensado antes, em escrever um livro, por achar que pouco tinha a dizer que pudesse ser útil aos possíveis leitores.

Alfa Omega: E por que, agora mudou de opinião?

Durval Clemente: Fui forçado pelas circunstâncias. Tinha o hábito de colecionar canalhices publicadas na Imprensa e a minha coleção foi crescendo dia a dia. Quando minha coleção chegou a alguns milhares de denúncias publicadas, comecei a me preocupar com o possível destino desse acervo de canalhices. Pareceu-me óbvio que esse material poderia ser aproveitado para estudos diversos, realizados por especialistas. Visando ceder o material que possuía a alguém, ou a alguma entidade, que pudesse aproveitá-lo adequadamente, apanhei todos aqueles recortes de jornal, até então apenas guardados, e passei a classificá-los e ordená-los segundo critérios que fui estabelecendo através de erros e de tentativas. Com isto foi se estabelecendo uma ligação entre mim e meus canalhas e me dava desconforto pensar na idéia original de ceder aquele acervo para outros. O trato diário com o material foi me levando a fazer observações e a tirar conclusões que me surpreendiam. Não foi difícil perceber que a leitura e a releitura das canalhices, o seu estudo e a classificação sistemática a que eu as submetera me levaram a resultados e conclusões que talvez somente eu possuísse e que precisariam ser divulgadas – ao menos para serem discutidos por outras pessoas. Daí à idéia de aproveitamento do material colhido para torná-lo um livro escrito por mim, foi um passo.

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