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Entrevista com Ebenézer W. A. Nascimento, autor de Banco Um Inimigo do Povo

Alfa Omega: O título “Banco…” é muito sugestivo. O que veio primeiro, o livro ou o título?
Ebenézer W. A. Nascimento: Vieram juntos. Banco é a base. Inimigo do Povo é a condição inseparável…

Alfa Omega: De onde veio a idéia do livro?
Ebenézer W. A. Nascimento: Escrevi um outro livro, A Retomada do Poder, ainda não publicado, no qual há um capítulo em que falo dos males do nosso sistema financeiro e faço sugestões para uma reforma. Então, senti a necessidade de me estender mais sobre os Bancos e não fazia sentido entrar em tantos detalhes em A Retomada

Alfa Omega: No livro você diz que os Bancos tornaram-se predatórios com a cumplicidade e devido à subserviência dos governos. Lula assumiu sob o compromisso de mudança. O que ele pode fazer para mudar essa relação?
Ebenézer W. A. Nascimento: Esse é um dos grandes desafios de Lula: vencer a resistência, a começar pelo Congresso, para efetuar uma reforma necessária do sistema financeiro. Não entendo muito bem o ritmo que ele está dando ao trato de problemas cruciais como o dos juros altos e, inevitavelmente, dos Bancos. Mas penso que se não tratar do tema dos juros exagerados de forma radical não poderá ter sucesso nos planos econômico e social, pelo menos o sucesso que interessa ao povo.

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Entrevista com Luigi Sarcinella, autor de Salto no Escuro

Alfa Omega: Sr. Luigi, qual a razão principal dos relatos contidos em Salto no Escuro?
Luigi Sarcinella: Colocar em evidência os horrores e a loucura da guerra, uma bestialidade.

Alfa Omega: É sabido que o regime nazi-fascista praticou crimes horrorosos contra a humanidade. O senhor como participante partigiani acha que todos os responsáveis foram punidos?
Luigi Sarcinella: Não. Não todos. Soube-se depois da fuga de muitos guardiões torturadores que se salvaram no anonimato e na América Latina. Alguns foram capturados.

Alfa Omega: Qual é o legado da luta dos partigianos contra o regime nazi-fascista?
Luigi Sarcinella: A liberdade na democracia.

Alfa Omega: O romance Salto no Escuro é assumidamente autobiográfico. O que levou a escrevê-lo há 40 anos atrás e a reeditá-lo agora?
Luigi Sarcinella: Sempre senti a necessidade de escrever um livro útil à sociedade.

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Entrevista com Marcos Alcyr Brito de Oliveira, autor de Sujeito de Direito e Marxismo

Entrevista concedida a Antônio do Amaral Rocha

Alfa Omega: Existe um entendimento do senso comum sobre a acepção “anti-humanismo”. Com certeza, neste seu trabalho o significado é outro. Explique-nos essa diferença?
Marcos Alcyr Brito de Oliveira: Para o senso comum, o humanismo seria atitude que buscaria o desenvolvimento da potencialidade do ser humano ao passo que anti-humanismo seria a negação dessa possibilidade de desenvolvimento humano. No entanto, a concepção humanista, que considera a noção de Homem (essência ou natureza do Homem), a noção de espécie humana ou Gênero humano (essência genérica do homem, definido pela consciência, o coração, a intersubjetividade etc.), etc., na verdade escamoteia as diferenças existentes entre as classes, ocultam a exploração capitalista e a luta de classes, enquanto o anti-humanismo utiliza-se de conceitos mais científicos, menos ilusórios, como modo de produção, mais-valor, etc., ou seja, somente superando conceitos humanistas onde prevalecem das ilusões de igualdade e liberdade, e adotando-se uma ótica anti-humanista é que, de fato, a exploração de uma minoria sobre uma maioria poderá ser superada.

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Entrevista com Ivan Godoy, autor de Argélia Tradição e Modernidade

Alfa Omega: Seu livro é uma reportagem, um ensaio ou um diário de viagem?
Ivan Godoy: Tem um pouco de cada gênero. É o produto de muita pesquisa e de duas viagens à Argélia, que unidas a dez visitas a outros países árabes — sempre como jornalista — me deram as condições para entender um pouco a mentalidade, a cultura e a sociedade desses povos. Falei com muita gente, autoridades, políticos e intelectuais, tanto do governo quanto da oposição, acadêmicos e principalmente pessoas comuns, para poder sentir o que pensam os argelinos do seu país e do mundo. Visitei muitos lugares, de grandes cidades até lugarejos em pleno Saara. Aliás, sobrevoei o deserto numpequeno avião, o que me deu aquela sensação de como os seres humanos somos pequenos diante da imensidão da natureza.
Também li muito sobre o país: livros, revistas, jornais, sites na internet. Tudo foi facilitado pelo fato de os argelinos serem bilíngües e boa parte dos jornais e revistas serem publicados em francês. Assim, não tive intermediários nos meus contatos, pude falar diretamente com as pessoas sem tradutor, ler os jornais, ouvir o rádio, assistir TV, o que deu uma idéia bastante real do país. O resultado final é um livro que não pretende ser acadêmico, mas transmite bastante informação, de uma maneira direta, com uma linguagem jornalística. Em resumo: não é chato, segundo quem já o leu, até porque não fala apenas de política e economia, mas mostra uma visão geral do país e do povo, incluindo costumes, culinária, criação do cavalo árabe, produção de tâmaras e uma atenção especial ao esforço argelino para aumentar o nível educacional da população etc.

Alfa Omega: Por que você decidiu escrever sobre a Argélia?
Ivan Godoy: Em primeiro lugar, sempre me incomodei pelo fato de muita gente dar opiniões superficiais sobre o mundo árabe, baseadas em preconceitos e lugares-comuns. As pessoas no ocidente geralmente não sabem que apenas 20% dos islâmicos são árabes. A maior nação islâmica é a Indonésia, com mais de 200 milhões de habitantes e que não é árabe. Outros exemplos são o Paquistão, a própria Índia, com uma importante minoria muçulmana e o Irã. Eu estava interessado em mostrar a realidade de um país islâmico moderno e laico, pois considero que existe uma visão errada de que estas nações constituem um bloco monolítico de regimes teocráticos e/ou ditaduras retrógradas. Há diferenças marcantes dentro do mundo islâmico, numa gradação que vai desde o desaparecido regime fanático dos talibãs, no Afeganistão, até a Argélia atual. Ou seja, se há ditaduras e monarquias absolutistas, também há democracias ou pelo menos processos de evolução que apontam para a democracia.

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Entrevista com Jose Damião, autor de Os Direitos humanos na perspectiva de Marx e Engels

Não havia, até agora, surpreendentemente, uma única obra publicada em Língua Portuguesa voltada a investigar em quais termos pode-se situar, nos dias atuais, a relação entre o marxismo e os direitos humanos – o que dá a medida de nosso relativo atraso nesse debate.

Entrevista concedida a Antônio do Amaral Rocha

Alfa Omega: O senhor, como estudioso do tema direitos humanos, poderia descrever a situação dos direitos humanos nos tempos de Marx e Engels.

Prof. José Damião: Até quase o final do século XIX, o que se conhecia por direitos “humanos” era apenas a herança deixada pela Revolução Francesa de 1789, uma revolução burguesa por excelência: os chamados direitos civis (liberdade individual, igualdade formal perante a lei, e suas decorrências) e os direitos políticos (votar e ser votado para cargos políticos), direitos esses cujo exercício, contudo, era severamente condicionado pela inserção de classe das pessoas. Os direitos civis eram uma necessidade ao capitalismo triunfante: e liberdade contratual, empresarial, comercial, liberdade para a aquisição e venda de propriedades, livre produção e circulação de mercadorias, liberdade para acumular lucros, “libertação” dos trabalhadores da servidão das glebas feudais para, então, poderem vender “livremente” aos capitalistas a única mercadoria de que dispunham, ou seja, a sua própria força de trabalho – tudo em condições de perfeita “igualdade” jurídica entre compradores e vendedores. A igualdade jurídica, conformadora dos “sujeitos de direitos”, era o pressuposto dos contratos em geral. No lugar dos antigos privilégios de nascimento, atributos antigos dos estamentos sociais do feudalismo, põe-se a igualdade jurídico-formal entre todos, uma “igualdade” que passa a conviver sem constrangimentos com a desigualdade real e montante que continua a existir e a se reproduzir na sociedade. Claro que, tanto a liberdade quanto a igualdade, passam a ter significados práticos muito diferentes entre pessoas de diversa origem de classe. Para as classes abastadas/dominantes, liberdade e igualdade convertem-se em realidades da vida; já para as classes trabalhadoras/dominadas, ambos os conceitos são muito mais virtuais/formais do que reais. Como na arguta observação de Anatole France: “O direito, com seu igualitarismo majestoso, proíbe igualmente, a ricos e a pobres, de furtarem pão e dormirem ao relento”.

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Entrevista com Medeiros Braga, autor d’O Cordel do Manifesto Comunista

O Cordel do Manifesto Comunista é baseado na primeira teoria revolucionária da história, escrita por Marx e Engels. É um trabalho que contribui para inserir a cultura popular na discussão de tema tão essencial — a exploração capitalista, trazendo-a para um nível mais acessível de compreensão.

Alfa Omega: Poeta Medeiros Braga, em que consiste a sua produção literária? 

Medeiros Braga: Certa vez, em pleno regime militar, eu me encontrava em Campina Grande, na Paraíba, e lá estava em um palanque o combativo D. Helder Câmara. E ele falava de Castro Alves, da sua bravura, do seu patriotismo, assim se expressando: Quando entro no Teatro Santa Izabel em Recife, eu me emociono, os pelos do meu braço se arrepiam; é como se eu estivesse a escutar as vozes de Castro Alves no seu patriotismo lírico a declamar, “Auriverde pendão da minha terra/ que a brisa do Brasil beija e balança”. 

E eu também me emocionei ao ouvi-lo, porque D. Helder citava versos do grande poema “Navio Negreiro” e do maior de todos os poetas brasileiros. E porque, também, a Castro Alves eu devo parte da minha formação política. Eu nunca esqueci os dizeres do poeta condoreiro ao afirmar que “a poesia precisa ser o arauto da liberdade; o brado ardente contra os usurpadores dos direitos do povo”. 

A minha produção literária que é composta por romance, conto, artigo, poesia moderna e cordel, é toda ela voltada à conscientização política do povo. 

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Entrevista com Marcos Alcyr, autor de Sujeito de Direito e Marxismo

Tendo como parâmetro Pachukanis, o livro analisa, entre outros temas pertinentes ao marxismo, a questão da subjetividade jurídica em dois autores: Herbert Marcuse, que se baseia nos escritos do Marx da juventude, humanista, em especial a obra Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, e em Louis Althusser, que tem como base de suas análises as obras do Marx da maturidade, em especial a obra O capital.

Alfa Omega: Existe um entendimento do senso comum sobre a acepção “anti-humanismo”. Com certeza, neste seu trabalho o significado é outro. Explique-nos essa diferença? 

Marcos Alcyr: Para o senso comum, o humanismo seria atitude que buscaria o desenvolvimento da potencialidade do ser humano ao passo que anti-humanismo seria a negação dessa possibilidade de desenvolvimento humano. No entanto, a concepção humanista, que considera a noção de Homem (essência ou natureza do Homem), a noção de espécie humana ou Gênero humano (essência genérica do homem, definido pela consciência, o coração, a intersubjetividade etc.), etc., na verdade escamoteia as diferenças existentes entre as classes, ocultam a exploração capitalista e a luta de classes, enquanto o anti-humanismo utiliza-se de conceitos mais científicos, menos ilusórios, como modo de produção, mais-valor, etc., ou seja, somente superando conceitos humanistas onde prevalecem das ilusões de igualdade e liberdade, e adotando-se uma ótica anti-humanista é que, de fato, a exploração de uma minoria sobre uma maioria poderá ser superada.

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