Publicado em Deixe um comentário

Entrevista com Luigi Sarcinella, autor de Salto no Escuro

Alfa Omega: Sr. Luigi, qual a razão principal dos relatos contidos em Salto no Escuro?
Luigi Sarcinella: Colocar em evidência os horrores e a loucura da guerra, uma bestialidade.

Alfa Omega: É sabido que o regime nazi-fascista praticou crimes horrorosos contra a humanidade. O senhor como participante partigiani acha que todos os responsáveis foram punidos?
Luigi Sarcinella: Não. Não todos. Soube-se depois da fuga de muitos guardiões torturadores que se salvaram no anonimato e na América Latina. Alguns foram capturados.

Alfa Omega: Qual é o legado da luta dos partigianos contra o regime nazi-fascista?
Luigi Sarcinella: A liberdade na democracia.

Alfa Omega: O romance Salto no Escuro é assumidamente autobiográfico. O que levou a escrevê-lo há 40 anos atrás e a reeditá-lo agora?
Luigi Sarcinella: Sempre senti a necessidade de escrever um livro útil à sociedade.

Alfa Omega: O senhor acha que a luta contra o nazismo e o fascismo está na ordem do dia?
Luigi Sarcinella: Nazismo e fascismo, ou qualquer sórdida ditadura devem ser eliminadas pelo bem da humanidade. Ditadura é sinônimo de regresso em qualquer senso.

Alfa Omega: Em que medida os relatos contidos em Salto no Escuro podem sensibilizar e conscientizar os jovens de hoje?
Luigi Sarcinella: O livro foi escrito no intuito de transmitir aos jovens os males que a guerra encerra no bojo de qualquer ditadura. A guerra por si só encerra erros inomináveis.

Alfa Omega: Vê-se pelos relatos contidos em Salto no Escuro que o senhor possui uma vasta cultura humanista. Onde adquiriu-a?
Luigi Sarcinella: O liceu clássico e o diploma de professor formaram a base da minha cultura, depois completada no planetário de São Paulo com o diploma de cosmografia sendo professor, Aristóteles Orsini. Também conseguí fazer um curso de antropologia e pré-história na USP tendo como professor o célebre Paulo Duarte. O curso de jornalismo foi completado na Cásper Líbero. Mas toda a minha cultura em geral provém dos inúmeros livros que tenho lido até hoje e assim continuarei enquanto viver.

Alfa Omega: Tendo o senhor vivido os horrores da guerra como militante partigiani, acha que ela é fielmente retratada nos inúmeros filmes que se fizeram e se fazem sobre o assunto?
Luigi Sarcinella: Os filmes, mesmo os bons e os mais fiéis não retratam a realidade porque não transmitem totalmente os tormentos da guerra: barulho infernal, ensurdecedor, fedores intoleráveis de cadáveres, fome, frio, piolhos, vilezas, humilhações e tudo aquilo que pode degradar um ser humano.

Alfa Omega: A humanidade ainda corre o risco de uma outra guerra mundial?
Luigi Sarcinella:: Não creio, mas se por uma imensa infelicidade acontecesse, acabaria com a vida no planeta e seria o fim trágico, indescritível da humanidade. O perigo consiste na probabilidade de que as armas destruidoras acabem nas mãos de ditadores deficientes.

Alfa Omega: Salto no Escuro nos mostra que na guerra não há vencidos nem vencedores, mas há heróis que defendem uma boa justa causa. Como o senhor se sente tendo lutado contra o nazi-fascismo. O senhor venceu a guerra?
Luigi Sarcinella: Não, só lutei pela liberdade contra ditaduras hediondas com a consciência de servir à humanidade, tendo a certeza que ninguém seria vencedor tendo participado de massacres, o que é um desabono para todos aqueles que foram forçados a participar.

Alfa Omega: Poderia lembrar-se de nomes de companheiros seus que tiveram destaque na vida política italiana do pós-guerra?
Luigi Sarcinella: Lembro-me dos principais, apesar de que não possa lembrar os nomes de todos os companheiros na luta da Resistência contra a ditadura. Posso lembrar dos comandantes: Maggiorino Marcellim, major dos alpinos e comandante dos partisans rebeldes no Val Chisone. O vice-comandante juiz de Pinerolo, Ettore Serafino. O coronel Tullio Giordana, diretor do Diário de Torino. O Presidente Scalfaro e o meu amigo e Presidente atual Mário Azeglio Ciampi. O Senador Paulo Taviani e tantos outros companheiros que morreram ao meu lado combatendo ou foram fuzilados, torturados, queimados vivos ou afogados. Só no Val Chisone tivemos medalhas de ouro, de prata e de bronze que documentam o valor e o heroísmo dos partisans italianos que pertenciam a todas as armas do Exército, da Marinha, da Aviação como também dos Carabinieris e da Alfândega.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *