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Entrevista com Ernesto Araújo, autor de Quatro 3

Alfa Omega: Como você definiria o livro Quatro 3? Trata-se de um romance?
Ernesto Araújo: Não exatamente. É um conjunto de textos que exploram uma certa temática, mas sem intenção de sistematicidade. Não quis construir uma história, mas sim produzir um ambiente. Poderia comparar Quatro 3 a uma cidade que surgiu da união de um conjunto de vilarejos e cidades menores, sem planejamento urbano.

Alfa Omega: Qual é a temática que você aborda?
Ernesto Araújo: Antes de mais nada, aquilo que o escritor francês Philippe Muray chama a recusa de negatividade. A idéia de que um mundo de paz e cooperação é a maior das maravilhas. A perda da liberdade de pensar e agir que decorre da universalização de um certo tipo de democracia. Tento opor-me a tudo isso e afirmar um pouco a negação, defender a possibilidade de ser contra. Porque a humanidade nasce e cresce na contradição e no confronto: confronto com a natureza, confronto entre povos e classes, confronto entre espírito e matéria, confronto do homem consigo mesmo, desafio à realidade. Hoje somos cada vez menos capazes de vivenciar o confronto, e assim vamo-nos desumanizando.

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Entrevista com Ernesto Araújo, autor de Xarab Fica

Alfa Omega: Do mesmo modo que seu primeiro romance, A porta de Mogar, também este segundo passa-se em um país imaginário. Desta vez trata-se de Xarab. Pode falar um pouco sobre esse lugar?
Ernesto Araújo: Para mim é um pouco difícil falar de Xarab assim, de fora, porque só conheço Xarab de dentro. É como se me pedissem para falar do Brasil em poucas palavras: que poderia dizer sem cair no óbvio? Que é um país grande, verde, complexo? Tudo isso seria frio e sem vida. Só os países estrangeiros são realmente países: para cada pessoa, o seu próprio país não é um país, mas sim uma experiência, uma percepção íntima. Os outros países são por acaso, são relativos, enquanto o nosso é necessário e absoluto. O livro, aliás, é um pouco sobre isso, sobre essa especificidade da Pátria. Direi que Xarab é uma cidade irrequieta à beira de um golfo, a memória de uma guerra perdida, a consciência de ter algo a defender, algum segredo que o resto do mundo desconhece. Xarab é um povo que deseja transcender a verdade. Xarab é uma rainha cansada que sente aproximar-se o fim e escolhe uma sucessora, uma moça que tentará provar que é digna do reinado. Xarab é a dúvida sobre si mesmo unida à vontade de perseverar.

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