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Entrevista com Aldo Arantes, autor do livro O FMI e a nova dependência brasileira

Alfa Omega: Qual a idéia central do livro O FMI e a nova dependência brasileira?

Aldo Arantes: A tese central do livro é a de que o processo de globalização da economia brasileira, através das privatizações, desnacionalização da economia, desemprego e reajuste fiscal levou ao desmonte do estado brasileiro. A questão teórica que levanto é se o neoliberalismo e a globalização colocam um fim ou não ao Estado nação e, o que procuro mostrar, é que longe de suprimirem o Estado nação, fortalecem os Estados capitalistas centrais, os Estados imperialistas – sobretudo os EUA, ao mesmo tempo em que debilitam os Estados dependentes.

Alfa Omega: Tem-se a impressão de que o neoliberalismo e a Globalização são uma “nova etapa” na evolução do capitalismo, um processo irreversível. Houve opções e mais, existem alternativas a esse modelo?

Aldo Arantes: Na verdade, esse é o discurso das elites dominantes, de que esse seria um caminho inevitável, inexorável. O presidente FHC chegou a dizer em uma entrevista que a globalização era um novo renascimento, querendo apresentar o processo de globalização como algo progressista e moderno. A globalização tem um duplo aspecto: o aspecto objetivo, que decorre do desenvolvimento do capitalismo, do desenvolvimento técnico-científico – que é um aspecto positivo da globalização. Mas também tem um aspecto de opção ideológica, de estratégia de desenvolvimento e essas são decisões conscientemente tomadas. A política neoliberal não é inevitável. É um caminho adotado pelo sistema capitalista numa situação de crise. E os países que não se submeteram à regra neoliberal, longe de estarem em crise, esses países é que estão conseguindo superar a crise, como é o caso da China, Índia e do próprio Japão. O que aconteceu com a Argentina? A Argentina seguiu à risca todas as regras impostas pelo FMI, e o México também. A maioria dos países que seguiu a política do FMI, praticamente dizimou a sua economia, enfraqueceu profundamente e ficou sem instrumentos de barganha.

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