O Cordel do Manifesto Comunista é baseado na primeira teoria revolucionária da história, escrita por Marx e Engels. É um trabalho que contribui para inserir a cultura popular na discussão de tema tão essencial — a exploração capitalista, trazendo-a para um nível mais acessível de compreensão.
Entrevista com o Autor
Alfa-Omega: Poeta Medeiros Braga, em que consiste a sua produção literária?
Medeiros Braga: Certa vez, em pleno regime militar, eu me encontrava em Campina Grande, na Paraíba, e lá estava em um palanque o combativo D. Helder Câmara. E ele falava de Castro Alves, da sua bravura, do seu patriotismo, assim se expressando: Quando entro no Teatro Santa Izabel em Recife, eu me emociono, os pelos do meu braço se arrepiam; é como se eu estivesse a escutar as vozes de Castro Alves no seu patriotismo lírico a declamar, "Auriverde pendão da minha terra/ que a brisa do Brasil beija e balança".
E eu também me emocionei ao ouvi-lo, porque D. Helder citava versos do grande poema "Navio Negreiro" e do maior de todos os poetas brasileiros. E porque, também, a Castro Alves eu devo parte da minha formação política. Eu nunca esqueci os dizeres do poeta condoreiro ao afirmar que "a poesia precisa ser o arauto da liberdade; o brado ardente contra os usurpadores dos direitos do povo".
A minha produção literária que é composta por romance, conto, artigo, poesia moderna e cordel, é toda ela voltada à conscientização política do povo.
AO: Você acha que o trabalho de conscientização é necessário?
MB: Não somente necessário, bem como, indispensável. Eu vejo a produção literária de grandes poetas e escritores como os já citados Castro Alves e D. Helder, D. Pedro Casaldáliga, Pablo Neruda, Bertold Brecht, José Saramago, entre tantos outros, como algo imprescindível à formação do povo e à luta consciente em busca de um mundo melhor. Inclusive, a todos eles eu externo a minha estima pela sua coerência e pelo radicalismo com que defenderam os seus ideais. Causam-me indignação aqueles que se curvam e que, adequando-se às conveniências, mandam que o povo esqueça o que eles escreveram, disseram ou praticaram.
AO: E o que é O Cordel do Manifesto Comunista?
MB: Em si, o Manifesto Comunista, como é mais conhecido, é um extraordinário trabalho de Marx e Engels. Escrito em 1847 e lançado em 1848, portanto, há mais de século e meio, ele vem sendo lido até hoje por leitores de todos os países do mundo. De conteúdo histórico, filosófico e político, o Manifesto é, antes de tudo, um instrumento de capacitação política dos trabalhadores e dos militantes de todas as idades. Ele escancara todo o acervo de história do mundo e mostra os sistemas de exploração; os seus mecanismos de manutenção, a exemplo da formação de "exércitos de desempregados" em torno das fábricas, a extorsão da mais-valia sempre maior para se manter afastada da crise, e dá total ênfase à existência da luta de classe.
O livro O Cordel do Manifesto Comunista, que tem por base o esboço da primeira teoria revolucionária da história escrita por Marx e Engels, é um trabalho que tenta popularizar, tornar de mais acessível compreensão, uma obra conhecida como um tratado político de maior influência mundial.
O referido cordel procura, como no documento original, mostrar a existência da luta de classe, escondida sob os tapetes da história; a supremacia burguesa sobre o feudalismo; o estabelecimento do sistema capitalista com seus renovados meios de produção e troca, e com a avassaladora e sempre crescente exploração dos trabalhadores, que ocorre por conta da manutenção do processo de acumulação.
AO: Depois de tudo que aconteceu nos países socialistas, você ainda acredita no socialismo?
MB: O socialismo é um processo. A vida no nosso planeta conta bilhões de anos. Nesse contexto, a evolução social do homem se dá de forma lenta, moderada. E, certamente, a chegada de um mundo justo e igualitário poderá demorar alguns milhares ou milhões de anos. Mas, ele virá, inevitavelmente. É verdade que tem crescido as ações negativas, mas, com bem mais velocidade, as insatisfações humanas. Indagado certa vez sobre a morte do socialismo, eu escrevi esses versos: "Pode morrer, é possível/ a mais velha experiência,/ podem, sim, morrer no homem/ os sonhos de independência,/ mas, jamais, desmoronado/ será o que foi montado/ sobre o pilar da ciência!"
AO: O que leva você a acreditar na viabilidade do socialismo?
MB: Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi destruída por um bombardeio aéreo no governo Vargas. E foi destruída, exatamente, devido ao seu crescimento sócio-econômico. E lá não havia propriedade privada; toda propriedade era coletiva. O engenho de rapadura, a casa de farinha, as várzeas de arroz, os campos de algodão, os teares manuais, tudo, enfim, era coletivo. Inclusive, a produção, a comercialização e a distribuição que se dava conforme as necessidades. E todos viviam bem, e por assim viver, os grandes fazendeiros estavam perdendo os seus trabalhadores. E, exatamente, por perderem seus trabalhadores é que a população de Caldeirão foi exterminada.
AO: No seu livro O Cordel do Manifesto Comunista você aborda a questão das crises, mas até aqui o capitalismo sobrevive. O que você acha disso?
MB: Marx diz que as crises existem pelo fato de que "a composição orgânica do capital cresce em termos relativos com mais velocidade que a taxa de mais-valia". Ou seja, pelo fato do volume do capital constante e do capital variável, devido ao processo de acumulação, exigirem uma remuneração sempre maior para que se possa manter a taxa de lucro. Para isso os capitalistas extorquem os trabalhadores a ponto de pagar pela sua mão de obra apenas o necessário para produzirem riqueza e procriar operários. Mas, como a acumulação é crescente eles passam a extorquir os pequenos produtores rurais, como ainda, as pequenas nações, através da troca desigual.
Independente de alguma pergunta eu gostaria de agradecer à Editora Alfa-Omega na pessoa de Fernando Mangarielo pela forma precisa e educada como me atendeu desde os primeiros contatos até a efetivação do contrato entre nós firmado. Acredito, inclusive, pela sua desenvoltura e habilidade empreendedora, somadas à minha modesta capacidade de compor um cordel inédito de um tema tão relevante, que nós sejamos reconhecidos com o acatamento dos leitores.
O Cordel do Manifesto Comunista
68 pp. - R$18,00
ISBN 85-295-0057-1
Código de barras: 9 788529 500577
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Sobre o Autor
Medeiros Braga, Luzimar. Economista, romancista e poeta. Paraibano de Nazarezinho, nasceu em 20 de abril de 1941, sendo filho de Francisco Assis Braga, o “seu Braguinha”, e Anatilde Mendes de Medeiros. Cursou ele as primeiras letras em Senador Pompeu, estado do Ceará, tendo que retornar ainda garoto à sua terra natal, antiga Vila de Nazaré, onde não pôde dar continuidade aos estudos pelo fato de, na localidade, só haver uma unidade escolar em funcionamento com autonomia limitada ao 3.o ano primário.
No período que vai até a idade adulta, o autor viveu praticamente no campo, porém, sem se separar da leitura. Uma sua irmã, de nome Uilna e que estudava em Fortaleza, sempre que vinha a Vila de Nazaré cuidava em trazer bons livros, a exemplo de Machado de Assis, José de Alencar e, entre outros, do grande poeta Castro Alves, cujo tomo de poesias completas o tinha como o seu livro de cabeceira. Conhecia de trás pra frente e vice-versa. Sabia de “cor e salteado” o Navio Negreiro.
Economista, romancista e poeta, Medeiros Braga chegou a exercer a profissão de professor, onde lecionava a cadeira de “economia e mercado”, de jornalista junto ao Diário da Borborema escrevendo artigos e notícias do dia-a-dia, de assessor técnico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura-FETAG, bem como, de técnico de desenvolvimento rural junto a comunidades de pequenos produtores. Como um estudioso da teoria da troca e conhecedor, “in loco”, dos problemas agrários e agrícolas que agridem o homem do campo, Medeiros Braga escreveu um romance onde os agricultores, empobrecidos pela troca desigual, são instados a se insurgir contra as elites dominantes.
Seguindo os ensinamentos do poeta condoreiro de que “a poesia precisa ser o arauto da liberdade; o brado ardente contra os usurpadores dos direitos do povo”, Medeiros Braga tem se dedicado a um trabalho educativo; de conscientização política do povo. Nessa linha ideológica o autor já escreveu, além dos cordéis citados, os seguintes livros: Poesias Revolucionárias, Massacre – poesias; Exaltação à Luta – poesias; Insurreição no Campo – romance; Capitalismo, Poder, Exploração – economia política, Nordeste Macabro – variados, Nordeste: miséria e conveniência – variados.
Principais cordéis: Zumbi, Conselheiro, Patativa do Assaré, Castro Alves, Brecht, Saramago, D. Pedro Casaldáliga, Margarida Maria Alves, Inácio da Catingueira, Santos Dumont, Monteiro Lobato, bem como, sobre alguns acontecimentos mal contados pelos nossos historiadores, a exemplo das razões que levaram ao massacre de Caldeirão de Santa Cruz do Deserto. Como técnico de campo, Medeiros Braga ainda hoje escreve cordéis sobre organização comunitária, compostagem orgânica, gestão de casa de farinha, moinho de milho, postos de produção e venda de pescado, entre outros.
Na atividade política, Medeiros Braga atuou como militante político de esquerda no processo contínuo de educação popular, participou da fundação da Associação de Imprensa de Patos tendo sido o seu primeiro presidente, bem como, da criação da Associação dos Economistas, também de Patos, sendo eleito o seu vice presidente.
Medeiros Braga, apesar de não participar de eventos culturais, conta com vários poemas classificados em sites europeus, a exemplo do “poesiapura” da Espanha, como “poesia recomendada” e “poesia destacada”. Já é ele, hoje, citado em diversas coletâneas e livros de alguns autores. Seus cordéis, por solicitação, foram cedidos para inúmeros portais educativos do país.
No entanto, o autor não abre mão de um conceito: mudar o povo para mudar o mundo. Para ele não há como transformar os costumes, modificar a cultura errada de um povo, sem que se dê através de um trabalho demorado de conscientização política. Não adianta governos bem-intencionados com um povo desprovido de educação em bom nível.
Quarta capa
“PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS!”
O Cordel do Manifesto Comunista, que tem por base a primeira teoria revolucionária da história, escrita por Marx e Engels, é um trabalho que tenta popularizar, tornar de mais acessível compreensão, uma obra conhecida como um tratado político de maior influência mundial. Mais conhecido como Manifesto Comunista ou Manifesto do Partido Comunista, este documento foi escrito em 1847 e lançado em vários idiomas a partir de 1848. Por mais de século e meio, portanto, o Manifesto continua sendo lido, hoje, por leitores no mundo inteiro.
Este cordel mostra, baseado no documento original, a existência da luta de classe, escondida sob os tapetes da história; a supremacia burguesa sobre o feudalismo; o estabelecimento do sistema capitalista com seus renovados meios de produção e troca, e a avassaladora e sempre crescente exploração dos trabalhadores, que ocorre pela manutenção do processo de acumulação.
Dessa forma, transformado em instrumento de conscientização política, o cordel traz à tona um conteúdo capaz de efetivar os seus objetivos nas informações do processo histórico, sobretudo, a partir da Idade Média com o aparecimento e a consolidação da classe burguesa, o descobrimento de novas terras e a sua colonização, seus novos mercados, a necessidade de modernização dos meios de produção, dos transportes com embarcações motorizadas e o trem de ferro, bem como, o invento do telégrafo e o aperfeiçoamento da divisão social do trabalho.
Medeiros Braga reafirma a sua crença marxista-leninista. Com o dom de autêntico artista do povo leva, aos trabalhadores do Brasil, os ensinamentos de Marx e de Engels expressos neste genial trabalho em verso.
Com este lançamento a Editora Alfa-Omega contribui para inserir a cultura popular na a discussão de tema tão essencial — a exploração capitalista.
Dedicatória
Externo a minha admiração aos grandes poetas humanistas, Brecht, Neruda e Saramago, pela radicalização dos princípios e coerência nas ações.
A Marx e Engels, estes dois grandes gênios da história, da filosofia, da economia e da política, e redatores do manifesto; neles inspirado, eu dedico o meu modesto trabalho em cordel. Como socialista e cordelista de esquerda, sinto-me honrado em poder colaborar com esse trabalho educativo.
Prefácio
Medeiros Braga com esta obra de arte, O Cordel do Manifesto Comunista, reafirma a sua convicção marxista-leninista. Sua inteligência e dom de autêntico artista do povo, levam à grande maioria da nação, constituída dos humildes trabalhadores, os ensinamentos de Marx e de Engels expressos no seu genial trabalho em verso. Mostra, mais uma vez, sua autenticidade de revolucionário dedicado à luta por um mundo melhor, sem injustiças sociais, sem miséria, sem fome, sem guerras, males estes causados pelo sistema cruel: o capitalismo.
O verdadeiro artista é dedicado à luta pelo bem da humanidade, o que só é possível com justiça social. Essa história de “arte pela arte” proclamada pelo literatos conservadores ou fascistas é estupidez.
A arte tem que estar a serviço do povo, do progresso social.
Os maiores cultores da arte são revolucionários. Basta lembrar Pablo Neruda, Castro Alves e Bertold Brecht.
Com este genial cordel Medeiros Braga leva ao homem simples, ao povão, os ensinamentos dos gênios do comunismo: Marx e Engels.
O Manifesto Comunista, uma grande obra revolucionária que se constitui um ensaio de cultura política, até hoje tem sido lida mais pelos intelectuais, ou pelas pessoas de escolaridade de média para cima.
Agora, com este O Cordel do Manifesto Comunista, repito, numa linguagem para o povo simples, a verdade será muito mais divulgada, e este fato é da maior importância na luta para apressar a revolução que, no tempo histórico, está bem próxima.
Com 84 anos de idade e quase sessenta de jornalismo, além da militância comunista desde 1942, tenho condições para afirmar que esta obra de arte de Medeiros Braga constitui uma contribuição valio-sa ao processo revolucionário no Brasil.
Oduvaldo Batista
Jornalista
Tábua da matéria
Sobre Autor, VII
Dedicatória, IX
Prefácio, XI
Apresentação do Autor, XIII
O Cordel do Manifesto Comunista, 15
Literatura Socialista e Comunista, 45
Posição dos Comunistas diante dos diversos Partidos de Oposição, 49
Conclusão do Autor, 53
Karl Marx, o Filósofo do Milênio, 57
Biografia de Marx, 59
Biografia de Friedrich Engels, 65
Quem És
Tu és o apocalipse modernizado!
O terror do desemprego e corrupção,
Da mortalidade por desnutrição
E do menino de rua abandonado!
És o autor das vis formas de opressão...
Do entreguismo, da miséria ao flagelado,
Da impunidade ao crime organizado,
Da vida curta e da prostituição !
És o autor da fome e das necessidades,
Mas, és o criador dessas mansões
Que se engalanam de luxo e vaidades!
És a essência primeira do egoísmo!...
As excrescências das contradições...
Tu és o MUNDO DO CAPITALISMO!!!
Sobre os ilustradores da capa - Valdeck de Garanhuns/Regina Drozina
Caro editor Fernando, saudações!
Segue o que você pediu
Vai com o perfume de flores
Porém peço ao caro irmão
Poeta de várias cores
Que com ternura e amor
Ao invés de ilustrador
Falemos ilustradores.
Nós que somos dois senhores
Vislumbrando nova aurora
Temos limpa a consciência
Pois quem sabe faz a hora
Meu fazer e meu criar
Deve homenagiar
Regina minha senhora.
Pois ela ao meu lado agora
É estrela em nosso lar
Artista de belo porte
Ajuda meu caminhar
Com alma de menestrel
A capa desse cordel
Ela ajudou a criar.
Por isso ao mencionar
Meu nome na ilustração
Eu peço ao ilustre amigo
Que faça também menção
À minha auxiliar
Que ajudou a ilustrar
A nobre publicação.
Sei que o prezado irmão
Do clã dos mais incomuns
Atenderá meu pedido
Que só faço para alguns.
Correto no que eu foço
Receba meu forte abraço
Valdeck de Garanhuns.
Pernambucano de Garanhuns, Valdeck é um artista múltiplo, conhecido no Brasil e no exterior: é poeta, artista plástico, arte-educador, ator, compositor, contador de estórias e mestre em Teatro de Mamulengo.
Com 20 anos de carreira, o artista usa o Teatro de Mamulengos como recurso educacional em escolas, empresas, entidades, nas ruas e praças. Qualquer lugar é bom para o Teatro de Mamulengo.
Está entre os melhores xilogravuristas do país tendo participado de importantes salões de artes plásticas, várias exposições coletivas e realizado muitas individuais. No exterior expôs em Washington e Nova York, nos Estados Unidos; em Hameln e Erlagen, na Alemanha, e suas obras fazem parte do acervo do Museun für Völkerkunde em Frankfurt/Alemanha.
Bumba-meu-Boi
Mamulengo
Mamulengo
O Matuto
Contatos com os ilustradores: (11) 4667-6937
e-mail: valdeckgaranhuns@uol.com.br
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