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Céu
de ninguém
Saga
de uma vocação
Abel Pereira Leite
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Crônica da fase heróica da aviação mundial
desde 1910.
O livro mais completo sobre o tema já publicado no Brasil.
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ABEL PEREIRA
LEITE |
Depoimento
do Autor
Nascido em Santos em 1920, foi meu privilégio ter presenciado
lá, no litoral, significativa parte dos primeiros passos da aviação
esportiva e comercial em nosso País. Na Praia do José Menino,
frente ao Hotel Internacional, reuniam-se até 1930 aviadores itinerantes
promovendo com seus velhos biplanos exibições e vôos
de propaganda além de, para quem se aventurasse, vôos panorâmicos
a cinqüenta mil réis por cabeça, um passageiro de cada
vez. Na Ponta da Praia, à entrada da barra, escalavam os hidroaviões
Junkers e Dornier do Sindicato Condor e na então deserta Praia Grande
situava-se o campo de pouso da legendária Latécoère
de Mermoz, Guillaumet, Saint Exupéry e tantos mais, destinados a
futura fama. |
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Pela imprensa acompanhei os arrojados reides e travessias oceânicas
de quantidade de precursores, homens e mulheres já quase esquecidos,
que de igual modo contribuiram até com o sacrifício das
próprias vidas para o desbravamento das atuais grandes redes aéreas
intercontinentais.

576 pp. - R$ 54,00
edição ilustrada
O avião
emergira da primeira guerra mundial já suficientemente evoluido
para assumir o papel que lhe competia por pressuposto destino precípuo:
o de encurtar distâncias, aproximar e unir os homens. Em 1919, um
pouco por toda parte, começaram a funcionar as primeiras linhas
aéreas e vinte anos após, ao início da segunda conflagração,
encerrava-se a fase heróica. Em 1939 linhas aéropostais
regulares já cruzavam os mares e cobriam a maior parte do globo
mas só a partir de 1945, retomada a paz, teria modesto início
o transporte aéreo trans-oceânico com passageiros.
Como os conhecemos hoje, a jato, vulgarizados, os serviços diferem
radicalmente dos desenvolvidos entre os dois e após o segundo conflito.
Numa só etapa, em vôo direto a partir de São Paulo
ou Rio de Janeiro, atinge-se agora qualquer capital européia em
menos de doze horas, viajando acima da turbulência, no limite da
troposfera, e é já como se o fizessemos em órbita,
enlatados, num ônibus espacial. Quase nem há mais o que ver
do exterior, as amplas janelas foram substituídas por acanhadas
vigias que os viajantes preferem manter cerradas para dormitar ou assistir
a vídeo-filmes. Lá na frente, no cockpit, é tudo
automatizado e muito simples, comandado por computador, e até a
navegação por GPS, apoiada em satélites, limita-se
ao acionamento de um par de teclas. Todo o mistério acabou. Para
quem, como eu, ingressou na aviação comercial ainda a tempo
de comandar os vetustos trimotores Junkers Ju 52/3m que, adolescente,
via transitar por Santos, remanesce a impressão de que foi também
meu privilégio ter estado lá, na que terá sido a
melhor fase de tudo isso, quando o vôo retinha algo de aventura
e era mais romântico, ainda com sabor de novidade..
No meu livro lembro um pouco do espírito dos anos 20 e início
dos 30, como os vivenciei no cotidiano doméstico da cidade portuária
que foi meu berço natal. Mas o que sobretudo enfatizo é
um amplo retrospecto da inteira epopéia em que consistiu a efetiva
conquista do ar a partir dos Zeppelins comerciais de 1909, áses
e feitos da primeira guerra, posteriores proezas de pioneiros aviadores
de nacionalidades diversas, incluídas as de maior repercussão
entre nós, como foram as de portugueses, espanhois e brasileiros
que primeiro cruzaram o Atlântico Sul. De resto, nada melhor do
que o índice para dar uma idéia da abrangência da
obra sem similar, estribada em nove índices (numa bibliografia
internacional de cento e vinte títulos) e dividida nos dez capítulos
seguintes:
I) INTRODUÇÃO
Perspectivas e imposições da aposentadoria
Balanço e avaliação do passado
II) A INFÂNCIA
Limitações e promessas da época
Tempos de colégio
Início da nossa era industrial
Apogeu e declínio do café
Últimas revoluções
III) A VOCAÇÃO
Ecos da guerra 1914/18
O despertar da aviação, primeiros reides e travessias
O céu sem fronteiras, até 1926
IV) ANOS DECISIVOS
O prêmio Orteig e a era Lindbergh
Proezas de uma nova fase a partir de 1927
V) O ATLÂNTICO SUL
Famosas travessias da época
VI) OUTROS PIONEIROS
O romantismo dos reides estendido a 1939
VII) A CONQUISTA DOS POLO
Notáveis expedições, presença do mais leve
e do mais pesado do que o ar no drama dos gelos
VIII) OS SERVIÇOS COMERCIAIS
Origens das linhas aéreas no exterior e sua implantação
entre nós
IX) MINHA INICIAÇÃO
Devaneios
Primeiros sucessos
X) PILOTO DE LINHA
Tema final
Glossário
Bibliografia
Índice de topônimos
Índice de instituições citadas
Índice de tipos de aviões e motores
Índice de nomes de aviões de e navios
Índice de empresas citadas
Índice das publicações citadas
Índice onomático
Índice das ilustrações
Conforme refiro no prólogo, livro no qual trato da conquista de
um sonho que, esmaecido pelo tempo, parece não ter passado mesmo
de fantasia. Contudo, não há ficção. Todas
as pessoas, entidades e fatos citados são reais, intenta o texto
reconstituir, em largos traços, o nascimento de um ofício.
Reminiscências de uma privilegiada geração no ocaso,
da decada de 20, testemunha e artífice do maior acervo de mudanças,
tecnológicas e outras, jamais enfeixadas em tão curto ciclo.
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Prólogo
Este livro
trata da conquista de um sonho que, esmaecido pelo tempo, parece não
ter passado mesmo de fantasia. Contudo, não há ficção.
Todas as pessoas, entidades e fatos citados são reais, intenta
o texto reconstituir - em largos traços - o nascimento de um ofício.
Reminiscências de uma privilegiada geração no acaso,
da década de 20, testemunha e artífice do maior acervo de
mudanças, tecnológicas e outras, jamais enfeixadas em tão
curto ciclo.
Sobre o Autor
Abel Pereira
Leite,
nascido em Santos, em 1920, teve seu batismo do ar em 1933. Formado perito-contador
em 1937, nunca exerceu outra profissão que não a de piloto
aviador - foi nesse ano que se brevetou, atendendo à vocação
despertada pelo acompanhamento de um período decisivo para a aviação
motorizada, entre as duas guerras mundiais. Seu primeiro instrutor foi
o suíço Jean Bernhard, no então campo da Aéropostale
em Praia Grande, e seu brevetador, já no Campo de Marte, em São
Paulo, o norte-americano Orson William Hoover.
O comandante Abel é titular do brvê 342 do Aeroclube do Brasil,
da carta de piloto de recreio 148, da de mecênico de aeronave 488,
da de piloto de aeronave mercante 192 e da de piloto de linha aérea
181. A baixa numeração dá a medida de seu pioneirismo
e da preciosidade de suas memórias como agente e testemunha ocular
do nascimento e do desenvolvimento inicial da aviação comercial
brasileira.
Entre 1939 e 1943 trabalhou como piloto executivo para diversos fazendeiros
e empresários. A seguir ingressou na aviação comercial,
o que lhe permitiu comandar aviões como os lendários Junker
Ju-52 e os quadriturbo-hélice Viscount 827, já no início
da era do jato.
Sempre contribuiu para publicações especializadas, tendo
escrito o primeiro manual de pilotagem editado no Brasil, Elementos
de aviação, publicado em 1940 pela Companhia Editora
Nacional. Dezessete anos depois, a Livraria Civilização
Brasileira lançou seu Asas de ontem, de hoje e de amanhã,
obra de divulgação e atualização técnica.
O Brasil e a aviação (vol. I e II) teses premiadas
em concurso promovido pelo Touring Club do Brasil por ocasião da
Semana da Asa 1935. Traduziu Mercadores do espaço, de Georges
Le Fèvre, Ed. Renascença, 1946.
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